Morte de José Mário Branco

No meio do frenesim, só agora soube (um amigo enviou-me SMS) da morte do José Mário Branco.
Concorde-se ou não com as suas posições sócio-políticas, ninguém duvidará que era alguém corajoso, que deu o flanco e que esteve no terreno – o seu grupo de acção cultural foi um pilar fundamental ao nível da descentralização social e geográfica da literacia e da arte, aquando do PREC.

Sofreu (e, desafortunadamente, sofrerá) como artista, o preço do engagement. A sua obra como objecto estético era muito mais do que as canções de intervenção.

Era um produtor musical e um autor de arranjos ao nível do melhor que há em Portugal.
Era, sobretudo, um grande performer, alguém com uma noção de palco tremenda, um diseur de excepção, alguém que mesclava como poucos (muito poucos) a música com a interpretação do texto.

A maneira como interpretava temas como “Inquietação” ou “Queixa das Almas Jovens Censuradas” (duas canções não-políticas, hellas!) e, vá lá, o seminal ‘FMI’, não está ao alcance de quem quer, mas de quem pode. Estão, sobretudo, longe da emoção de pechichebeque, plena de maquilhagem, de muitos que não sentem em carne viva.

(Orgulho-me de ter publicado, em Março do ano passado, um texto – abaixo, o link – em que o homenageava)

https://hugonascimentoveloso.wordpress.com/?s=Jos%C3%A9+M%C3%A1rio+Branco&submit=Pesquisar