Alan Rickman

Penso em indivíduos com classe e o nome de Alan Rickman está lá.

Penso em vozes de homem de que gosto particularmente e a voz de Alan Rickman está lá.

Penso nos melhores actores que vi trabalhar e o nome de Alan Rickman está lá.

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Recentemente, em sede de Assembleia de Freguesia de Campanhã, fui criticado por um destacado militante local do CDS, eleito nas listas do movimento ‘O nosso partido é o Porto’, sobre a minha defesa da descentralização de competências e da descentralização cultural como motor de coesão social e alavanca económica e social. “Eu quero lá saber, eu nem vou a exposições nem nada disso”, atirou-me.
Confirmo agora, ao ler esta notícia, que reforça o que (ou)vi ontem, em directo, a ideia de cultura que tem quem me interpelou: a tourada (quem sabe se a caça também?) como manifestação cultural de igual valia (ou até, quem sabe também, valia superior) relativamente a Pintura, Escultura, Literatura, Artes de Palco, Cinema, Música.
É provável que haja quem, no CDS, queira um Serviço Educativo na arena do Campo Pequeno – ou numa qualquer coutada – para que lá se possam levar os petizes em visitas de estudo.
Num mundo cada vez mais globalizado e uniformizado, muitas tradições e costumes etnográficos assumem especial relevo.
Não obstante, a manutenção de uma tradição ou de um costume só porque sim, só porque é suposto, só por mesmice e mimetismo, é uma tontice.

Touro

Poucos ícones são tão celebrados como o Touro. Desde a Antiguidade Clássica Europeia (os mitos do Touro Branco e o celebérrimo Minotauro), a ancestrais multi-geográficos cerimoniais, passando (como não?) pelo enraizado – e nem sempre feliz – culto de raiz ibérica. Coragem, ferocidade e virilidade, são características arquetípicas do córneo animal.

O erotismo que lhe é análogo, consubstanciado na forma fálica dos seus chifres e na sua capacidade fertilizante são, desde há muitos séculos alvo de admiração humana.

Sangue, sexo, luta, fúria e morte são conceitos tremendos e todos eles associados ao Culto do Touro.

Chaplin+Hitler+Bigodes

Nascidos com apenas 4 dias de diferença, (os portadores de) dois mini-bigodes são ícones do século XX e metáforas da criação e destruição do ser humano.

Chaplin e Hitler.

O primeiro faria, hoje, 130 anos.

Notre-Dame

Diz a lenda que um soldado nazi, incumbido de dinamitar Notre-Dame, não o conseguiu fazer porque achava criminoso destruir tamanha beleza e engenho. A ironia é que foi algo mais ‘suave’ do que uma ocupação militar a conseguir infligir dano na catedral.

Lembro também, em paralelo, a amarga ironia, e estes casos li-os nos jornais, há tempos, do pai que vai em peregrinação a Fátima para pagar a promessa da cura da sua enferma filha. A menina recuperou. O pai, enquanto peregrinava, foi atropelado mortalmente.

Um outro caso: o ancião judeu que se salvou dos campos de concentração nazis. Viveu durante décadas. Já quase nonagenário foi assassinado por um militante neo-nazi.

Um dos filmes que me impactou a adolescência continha esta frase: ‘a vida tem um sentido de humor doentio’.
Pois…

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